Neste Podmúsica, padre Donizete Heleno Ferreira, missionário da Comunidade Canção Nova e responsável pela liturgia, nos dá dicas de como viver bem a Semana Santa.
Estamos vivendo a Semana Santa, vamos meditar esta espiritualidade. Sabemos que a Semana Santa é um tempo de retiro, no qual nós recorremos ao silêncio, experimentamos Deus através da escuta da Palavra e do mergulho nas celebrações e na profundidade desse mistério. É um tempo de renovação, assim podemos experimentar o Senhor profundamente e ter a nossa vida transformada.
Que o Senhor possa conduzir você nesta grande semana. Você que exerce um ministério na Igreja, na sua paróquia, na comunidade, que você seja o primeiro a experimentar isso, você que vai cantar este mistério [pascal], que vai conduzir as celebrações e ajudar na pregação. Que o seu coração esteja aberto para receber este grande mistério desta grande semana que marca nossa caminhada cristã.
Que Deus o abençoe e lhe conceda frutos de graça e frutos de ressurreição na sua vida."
__________________________________________________________________________________________________________________________ BEM VINDO AMADO IRMÃO !! Esse é o Blog do Ministério de Música Luz das Nações.
"Eu, o Senhor, chamei-te realmente, eu te segurei pela mão, eu te formei e designei para ser a aliança com os povos, a LUZ DAS NAÇÕES, para abrir os olhos aos cegos, para tirar do cárcere os prisioneiros, e da prisão aqueles que vivem nas trevas"
Is. 42, 6-7.
Is. 42, 6-7.
terça-feira, 30 de março de 2010
Bendita seja a Cruz
Gloriemo-nos também nós na Cruz do Senhor!
A Paixão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é para nós penhor de glória e exemplo de paciência.
Haverá alguma coisa que não possam esperar da graça divina os corações dos fiéis, pelos quais o Filho Unigênito de Deus, eterno como o Pai, não apenas quis nascer como homem entre os homens, mas quis também morrer pelas mãos dos homens que tinha criado?
Grandes coisas o Senhor nos promete no futuro! Mas o que ele já fez por nós e agora celebramos é ainda muito maior. Onde estávamos ou quem éramos, quando Cristo morreu por nós pecadores? Quem pode duvidar que ele dará a vida aos seus fiéis, quando já lhes deu até a sua morte? Por que a fraqueza humana ainda hesita em acreditar que um dia os homens viverão em Deus?
Muito mais incrível é o que aconteceu: Deus morreu pelos homens.
Quem é Cristo senão aquele que no princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus: e a Palavra era Deus? (Jo 1,1). Essa Palavra de Deus se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14). Se não tivesse tomado da nossa natureza a carne mortal, Cristo não teria possibilidade de morrer por nós. Mas deste modo o imortal pôde morrer e dar sua vida aos mortais. Fez-se participante de nossa morte para nos tornar participantes da sua vida. De fato, assim como os homens, pela sua natureza, não tinham possibilidade alguma de alcançar a vida, também ele, pela sua natureza, não tinha possibilidade alguma de sofrer a morte.
Por isso entrou, de modo admirável, em comunhão conosco: de nós assumiu a mortalidade, o que possibilitou morrer; e dele recebemos a vida.
Portanto, de modo algum devemos envergonhar-nos da morte de nosso Deus e Senhor; pelo contrário, nela devemos confiar e gloriar-nos acima de tudo. Pois tomando sobre si a morte que nós encontro, garantiu total fidelidade dar-nos a vida que não podíamos obter por nós mesmos.
Se ele tanto nos amou, a ponto de, sem pecado, sofrer por nós pecadores, como não dará o que merecemos por justiça, fruto da sua justificação? Como não dará a recompensa aos justos, ele que é fiel em suas promessas e, sem pecado, suportou o castigo dos pecadores?
Reconheçamos corajosamente, irmãos, e proclamemos bem alto que Cristo foi crucificado por amor de nós; digamos não com temor, mas com alegria, não com vergonha, mas com santo orgulho.
O Apóstolo Paulo compreendeu bem esse mistério e o proclamou como um título de glória. Ele, que teria muitas coisas grandiosas e divinas para recordar a respeito de Cristo, não disse que se gloriava dessas grandezas admiráveis - por exemplo, que sendo Cristo Deus como o Pai, criou o mundo; e, sendo homem como nós, manifestou o seu domínio sobre ao mundo - mas afirmou: Quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo (Gl 6,14).
Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo
A Paixão de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo é para nós penhor de glória e exemplo de paciência.
Haverá alguma coisa que não possam esperar da graça divina os corações dos fiéis, pelos quais o Filho Unigênito de Deus, eterno como o Pai, não apenas quis nascer como homem entre os homens, mas quis também morrer pelas mãos dos homens que tinha criado?
Grandes coisas o Senhor nos promete no futuro! Mas o que ele já fez por nós e agora celebramos é ainda muito maior. Onde estávamos ou quem éramos, quando Cristo morreu por nós pecadores? Quem pode duvidar que ele dará a vida aos seus fiéis, quando já lhes deu até a sua morte? Por que a fraqueza humana ainda hesita em acreditar que um dia os homens viverão em Deus?
Muito mais incrível é o que aconteceu: Deus morreu pelos homens.
Quem é Cristo senão aquele que no princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus: e a Palavra era Deus? (Jo 1,1). Essa Palavra de Deus se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14). Se não tivesse tomado da nossa natureza a carne mortal, Cristo não teria possibilidade de morrer por nós. Mas deste modo o imortal pôde morrer e dar sua vida aos mortais. Fez-se participante de nossa morte para nos tornar participantes da sua vida. De fato, assim como os homens, pela sua natureza, não tinham possibilidade alguma de alcançar a vida, também ele, pela sua natureza, não tinha possibilidade alguma de sofrer a morte.
Por isso entrou, de modo admirável, em comunhão conosco: de nós assumiu a mortalidade, o que possibilitou morrer; e dele recebemos a vida.
Portanto, de modo algum devemos envergonhar-nos da morte de nosso Deus e Senhor; pelo contrário, nela devemos confiar e gloriar-nos acima de tudo. Pois tomando sobre si a morte que nós encontro, garantiu total fidelidade dar-nos a vida que não podíamos obter por nós mesmos.
Se ele tanto nos amou, a ponto de, sem pecado, sofrer por nós pecadores, como não dará o que merecemos por justiça, fruto da sua justificação? Como não dará a recompensa aos justos, ele que é fiel em suas promessas e, sem pecado, suportou o castigo dos pecadores?
Reconheçamos corajosamente, irmãos, e proclamemos bem alto que Cristo foi crucificado por amor de nós; digamos não com temor, mas com alegria, não com vergonha, mas com santo orgulho.
O Apóstolo Paulo compreendeu bem esse mistério e o proclamou como um título de glória. Ele, que teria muitas coisas grandiosas e divinas para recordar a respeito de Cristo, não disse que se gloriava dessas grandezas admiráveis - por exemplo, que sendo Cristo Deus como o Pai, criou o mundo; e, sendo homem como nós, manifestou o seu domínio sobre ao mundo - mas afirmou: Quanto a mim, que eu me glorie somente na cruz do Senhor nosso, Jesus Cristo (Gl 6,14).
Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo
quinta-feira, 25 de março de 2010
A Amizade
Aproveitando o aniversário de nosso querido irmão Luiz Gustavo, estou postando um texto sobre amizade
Vall Senna
Amizade Cristã
"A amizade se realiza entre inúmeras e indispensáveis conquistas..."
Eclo 6, 1 – 17.
Como vemos, a amizade verdadeira é rara; dificilmente é autêntica. É necessário acolhe-la com vigilante preocupação, tentando vivê-la dentro de determinados requisitos virtuosos. Mas quando alguém encontra o amigo verdadeiro e fiel, encontrou uma riqueza inestimável, que torna delicioso viver.
"Há amigos mais queridos do que irmão" (Prov 18, 24).
A amizade cristã é capacidade nova de amar os homens.
A amizade cristã é comunitária por vocação, porque provém de Deus que é Pai de todos; porque é comunicada pelo Espírito de Cristo, que é o amor por todo vivente; porque foi inoculada no fundo do humano pela encarnação do Verbo; porque é purificada e amadurecida nos homens pela sacramentalidade do mistério pascal do Senhor.
Amizade de Davi com Jônatas ( I Sm 18, 1; 20, 17);
Amizade de Jesus com Lázaro, Marta e Maria (Jo 11, 5-11);
Amizade de Jesus com João evangelista (Jo 13, 23).
Diferença entre fraternidade e amizade
Existe diferença entre o amor que devemos ter uns para com os outros:
- dimensão fraternal (ágape – caridade devida a todos, que o Senhor ordenou que se tivesse até pelos inimigos)
- amor de amizade (diátesis – caridade de afeto, dirigida a pequeno grupo de pessoas, a saber, os que se acham unidos a nós ou por semelhança de costume ou por comunidade de virtude).
Mesmo amando a todos, a caridade escolhe alguns a quem deseja testemunhar ternura particular, e, até neste número de privilegiados, elege pequeno grupo, ao qual concede afeto ainda mais especial. Dentro da vida fraterna existem pessoas escolhidas por Deus para serem próximas, criar laços.
"O caminho da amizade é humilde e cotidiano; acrescentarei que é longo, que exige paciência e que a amizade digna deste nome não poderia existir entre irmãos sem passar por etapas dolorosas (...) A aprendizagem da amizade autêntica é aprendizagem que nos prepara para todo amor desinteressado". R. Voillaume.
Alguns princípios básicos:
- Temos que ter caridade fraterna com todos;
- As amizades são espontâneas.
- As amizades são construídas na liberdade, nunca devem ser forçadas, ou direcionadas.
Conceitos
Quem é o amigo?
- Amigo é quem ama acima de toda busca pessoal interessada ou utilitarista;
- Estar disposto a aceitar o outro como é.
- O amigo deseja oferecer-se com um dom ao outro;
- Sente o que o outro lhe corresponde com idêntico amor de benevolência: compartilha com ele idêntico afeto altruísta (sentimento de quem põe o interesse alheio acima do seu próprio), atenção recíproca, a alegria de sentir-se amado, é capaz de escutar as batidas do coração do outro;
- Os amigos não conhecem o amor narcisista, nem o amor solitário. Cada um deles acha agradável viver porque seu viver é conviver junto; porque cada um se sente acolhido na intimidade do outro, porque pensa e quer em sintonia com o outro; porque se descobre implicado na vida do outro. Os dois são “uma só alma em dois corpos”.
- É um sentimento fiel de afeição;
- É a partilha mútua de vidas movida pela fidelidade e sinceridade.
- É um tesouro que o Senhor nos deu. ( Eclo. 6,14 ).
- É Deus quem escolheu.
- Tem coragem de dar a vida.
Amigo não é:
- Aquele que sai conosco, que convive, mas, aquele que conhece e pertence a sua vida;
- Uma propriedade exclusiva;
- Aquele que sempre concorda com tudo.
Características da Amizade
A vida de amizade é estruturada por palavras, silêncios e atitudes. A palavra comunica e troca reciprocamente convicções e sentimentos interiores; os silêncios deixam na alma a certeza de sintonia profunda. É essencial que tantos as palavras como os silêncios e as atitudes não expressem ruptura do diálogo e do encontro, porém, favoreçam a continuidade profunda. A co-presença amistosa no silêncio propicia a experiência de sentir-se harmonizados nos mesmos afetos, de saber que não há necessidade de palavras para comunicar-se, que não existe o imperativo de proclamar-se amados para sentir o amor do outro, que o estar juntos proporciona a alegria de experimentar-se irmanados das profundezas.
A comunhão de amizade é a linguagem que se expande pela interioridade mais profunda e que logo depois aflora espontaneamente por palavras e gestos exteriores.
Outras características:
- Aprende-se a viver na amizade através de longa experiência de amores de amizade imperfeitos, sem que jamais consigamos expressá-las de forma perfeita e definitiva;
- Participação (comunicar para vida, até nas pequenas coisas);
-Testemunho de Deus em sua vida e na amizade – é preciso educar os cristãos para que reconheçam o Senhor através da experiência da amizade fraterna;
- Responsabilidade pelo crescimento do outro – cuidado, zelo;
- Orar juntos;
- Lazer, diversão (gastar tempo com o outro);
Vall Senna
Comunidade Recado
sexta-feira, 19 de março de 2010
Passos para a conversão
É TEMPO DE QUARESMA, TEMPO DE CONVERSÃO !!!
Com São José, queremos aprender e nos deixar transformar pelo Senhor. Esses dias, eu fiquei meditando sobre a graça da conversão, que nos é dada . Hoje, eu vou falar sobre sete passos para a conversão:
1 - Onde acontece a minha conversão? Onde eu estou.
Aconteceu aquele problema, aquela surpresa, mas Deus estava e sempre estará com você em todos os momentos. O lugar da sua conversão é o lugar onde você está agora, porque a seu lado está o Senhor. Não importa o problema e a dificuldade pela qual você está passando com algumas pessoas. Nada disso pode atrapalhar a sua conversão. Esta se dá onde você está, aí neste lugar, neste problema, nesta situação. Não queria resolver situações pendentes, para só depois buscar se converter. Quem pensa assim, sempre arruma uma desculpa para deixar a sua conversão para depois.
Não queira fugir da sua realidade, pois é nela que Deus quer realizar uma obra em sua vida. O Senhor está na situação em que você se encontra. Ele está na sua realidade. Não despreze nada que possa ajudá-lo a se converter, nem a dor, nem pessoas, nem situações. Aproveite de tudo isso, pois não existe nada que não possa ser utilizado por Deus para sua conversão. Dessa forma, por causa dela [conversão], não fixe os olhos nas pessoas e nas situações. Para o seu bem, para que ela ocorra, não se fixe nas pessoas. Não olhe para elas, olhe “através” delas. Pois a meta é a conversão!
Não pergunte onde Deus está. Acredite e proclame que o Senhor está com você!
2 - Nossa conversão é a ação do Espírito Santo em nós.
O que devemos fazer é tornar nosso coração sensível às moções do Espírito. A missão d’Ele é nos santificar, mas nós temos o coração fechado para escutá-las [moções d’Ele]. Por isso, precisamos abrir o coração aos apelos d’Ele. É preciso ser obediente ao que Ele nos fala. É necessário entrar na “escola da sensibilidade e da obediência”.
3 - Aceite que um caminho de transformação é uma “porta estreita”.
“Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem à perdição e numerosos são os que por aí entram. Estreita, porém, é a porta e apertado o caminho da vida e raros são os que o encontram” (Mt 7, 13-14).
O mundo oferece caminhos e portas largas e tem feito a sociedade se acostumar com isso. Contudo, você precisa passar pela “porta estreita”, ela é o caminho que nos conduz à santidade. É necessário perceber “quem” ou “o que” é a “porta estreita da sua vida”, que faz com que você seja mais misericordioso, mais paciente, mais corajoso, entre outros. Mas muitos de nós queremos nos ver livres desse “caminho apertado” e dessa “porta estreita”. Jesus diz que poucos a encontrarão. E você? Já conheceu a sua?
4 - Quero realmente me converter? Quero realmente mudar de vida?
É preciso ter humildade para escutar o que pensam e o que falam de nós. Então, escute o que as pessoas têm a dizer sobre você e, diante de Nosso Senhor, pergunte: “O que há de verdade disso que estão dizendo sobre mim?” Pois, todos somos como um baú, que tem coisas boas e coisas ruins.
Quantas vezes, eu ouvi tantas coisas e voltei para casa chorando e, graças a Deus, chorei no colo da Eliana, minha esposa. Pessoas que me disseram, aqui, no pé da escada, que eu era autossuficiente, arrogante, etc. O que você escuta e o tira do sério é porque talvez possua um pouco de verdade. É tempo de mudança, e se você quiser mudar realmente, este é o tempo propício. Nosso Senhor espera de nós uma verdadeira conversão!
5 - Conversão é uma escolha que eu faço!
A sua conversão não é uma escolha de ninguém. É uma escolha muito pessoal. É você que quer mudar, que quer ser melhor, que quer ser de Deus. Portanto, a escolha é sua!
6 - O tempo da conversão é agora.
Nosso Senhor nos dá um tempo para a nossa conversão, e este tempo é agora. Neste momento, neste lugar. Aí onde você está, não existe outro lugar. Isso fundamenta o que eu lhe disse no começo da pregação: valer-se de tudo para a conversão.
7 - Converter-se pela oração. Retirar-se com Jesus.
Retire os olhos das pessoas, dos fatos. Você e eu precisamos aprender a ir mais para o “deserto” a fim de sermos transformados e abençoados. E assim nos converter com a oração e a meditação da Palavra de Deus.
Passe para outras pessoas esses sete passos. É tempo de conversão. Quem se converte, aproxima-se cada vez mais de Nosso Senhor Jesus Cristo. É preciso oferecer ao seu coração o que mais ele deseja e necessita: Nosso Senhor.
(Artigo extraído da pregação de março de 2007)
Ricardo Sá
Missionário da Comunidade Canção Nova
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