"Eu, o Senhor, chamei-te realmente, eu te segurei pela mão, eu te formei e designei para ser a aliança com os povos, a LUZ DAS NAÇÕES, para abrir os olhos aos cegos, para tirar do cárcere os prisioneiros, e da prisão aqueles que vivem nas trevas"
Is. 42, 6-7.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Carnaval 2010 na Canção Nova



Amados leitores do nosso blog!

Em breves palavras gostaria de transmitir um pouco daquilo que vivi neste carnaval de 2010. Com a graça de Deus, eu e nosso tecladista Renan, acompanhados de nossas amadas namoradas, tivemos a oportunidade de passar aproximadamente cinco dias em Cachoeira Paulista (SP) no acampamento de carnaval da Canção Nova. Foi uma grande benção para mim. Como todos sabem, a conversão não é algo que se dá em um dia, mas um processo que dura a vida inteira. Entretanto, há dias muito marcantes nessa caminhada. Sem sombra de dúvida, o acampamento de carnaval está entre os dias mais significantes da minha conversão. Lá eu pude reavivar em mim a maior verdade da minha vida: Deus me ama! De tão óbvio isso já não me tocava tanto. Mas é a notícia mais sensacional que alguém pode receber, meu irmão! Deus te ama! E isso foi muito visível lá e continua sendo até hoje. Ele nos convidou a viver momentos de alegria verdadeira. Não a alegria do mundo, que acaba na quarta feira de cinzas. Não aquela alegria da bebida, da droga, do sexo ilícito. A alegria do Senhor. “e essa alegria ninguém tirará de vós!” (Jo 16, 22). Já dizia o grande músico Davi: “na tua presença há plenitude de alegria...”(Sl 16,11).

Nesta quaresma que já começou, irmão, Deus quer te convidar a viver 40 dias de conversão que culminarão no domingo mais alegre de todos. Até quando vamos cultivar nossos pecados de “estimação”? Até quando cometeremos os mesmos erros? “Diga por hoje não” àquilo que te afasta de Deus, que te impede de sentir a verdadeira alegria. Abra-se a esse Deus que te ama incondicionalmente e um novo homem nascerá!.

Luiz Gustavo

Integrante do CLJ e Ministério Luz das Nações.

quinta-feira, 4 de março de 2010

CAMPANHA DA FRATERNIDADE ECUMÊNICA 2010

As Igrejas Cristãs no Brasil, presentes no Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil – CONIC, apresentam a Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010, com o tema Economia e Vida e o lema “Vocês não podem servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24).

Esta é a terceira campanha da fraternidade realizada de forma ecumênica, e tem como objetivo geral: “Colaborar na promoção de uma economia a serviço da vida, fundamentada no ideal da cultura da paz, a partir do esforço conjunto das Igrejas Cristãs e de pessoas de boa vontade, para que todos contribuam na construção do bem comum em vista de uma sociedade sem exclusão”.
É necessário conclamar a todos e todas para construir uma nova sociedade, educar essa mesma sociedade afirmando que um novo modelo econômico é possível, e denunciar as distorções da realidade econômica existente, para que a economia esteja a serviço da vida.

Nesta Campanha da Fraternidade Ecumênica, as comunidades cristãs são convocadas a deixar-se interpelas pelas palavras de Jesus:  “Não acumuleis para vós tesouros na terra, onde as traças e os vermes arruínam tudo, onde os ladrões arrombam as paredes para roubar. Mas acumulai para vós tesouros no céu.” (Mt 6,19-20a).
“Ninguém pode servir a dois senhores: ou odiará a um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao Dinheiro” (Mt 6,24).
Toda a vida de Jesus foi um testemunho de simplicidade no uso dos bens materiais, de solidariedade com os pobres, de distribuição gratuita dos dons de Deus.

Que a Campanha da Fraternidade Ecumênica 2010 nos estimule a compreender e vivenciar os valores do Reino de Deus, aacreditar que uma nova sociedade, mais justa e solidária, é possível, e a construir um modelo econômico em que a vida esteja em primeiro lugar.

Trecho Texto Base CF 2010
Site CNBB www.cnbb.org.br

Tempo de transfigurar-se ...

O tempo litúrgico da Quaresma é convite diário a preparar-se para a Páscoa do Senhor. É tempo de graça e salvação, propício para sair de nós mesmos, removendo tudo o que impede e retarda nossa transfiguração e conformação ao corpo glorioso de Cristo (cf. Fl 3, 21), pois o ideal de nossa transfiguração é Cristo.

Dias antes, Jesus havia dito a seus discípulos: “É necessário o Filho do Homem sofrer muito e ser rejeitado pelos anciãos, sumos sacerdotes e escribas, ser morto e, no terceiro dia, ressuscitar” (Lc 9, 22). Agora, transfigurado, antecipa a glória de sua ressurreição.

Ao transfigurar-se, isto é, ao mudar de figura diante dos privilegiados discípulos, os mesmos que haviam presenciado a ressurreição da filha de Jairo (cf. Mc 5, 37), e que haveriam de ser as testemunhas da hora mais amarga e dolorosa de Jesus no Getsêmani (Mt 26, 36-46), Jesus confirma sua promessa de vida e de ressurreição.

Transparece no alto da montanha aos olhos de Pedro, Tiago e João o rosto glorioso que o Filho tinha no seio do Pai. Aos três amados discípulos foi concedida a graça de contemplar a divindade que em Cristo se escondia. Momento inefável e indescritível para eles poderem tocar com a fé e o coração os traços do rosto humano de Cristo transfigurado! Tão inefável que levou Pedro a dizer: “Mestre, é bom estarmos aqui” (Lc 9, 33). De fato, a transfiguração é um mistério de felicidade divina. Toda a fluência de alegria que jorra entre Pai e Filho e que é o próprio Espírito Santo, “transbordou” naquela ocasião do vaso da humanidade de Cristo.

A transfiguração é garantia de que, para além do que se vê, para além do sofrimento, do pecado, do mal e da morte, há um mistério de luz mais forte que o mal que se vê e se experimenta.

Para viver nosso peregrinar neste vale de lágrimas, não como frustrados ou desesperançados, mas com a certeza de chegarmos à Terra Prometida, é necessário transfigurar-nos e descobrir o eterno escondido no cotidiano de cada ação.

A transfiguração revela o nosso destino: fomos feitos para contemplar a face de Deus. Cada um de nós traz em seu íntimo o desejo ardente de ver a Deus e sua glória: “Mostra-me a tua glória!” (Ex 33, 18); “Buscai minha face” (Sl 27, 8); “Senhor, mostra-nos o Pai, isso nos basta” (Jo 14, 8).

A transfiguração é um efeito direto da oração de Jesus, dialogando com o Pai, livre e amorosamente. Jesus “subiu à montanha para orar. Enquanto orava, seu rosto mudou de aparência” (Lc 9, 29). Orar é subir à montanha. A oração transfigura. Como vivência de fé, a oração dá às coisas e à vida o sentido pleno. Quem reza descobre novos caminhos, aclara dúvidas, elimina incertezas. Ajoelhados, vemos melhor. Também nós somos convidados a subir à montanha da oração, lugar de encontro e diálogo com Deus. A oração eleva nossa alma e introduz-nos na vida trinitária. Se a contemplação de Cristo tem por finalidade “transformar-nos naquele que contemplamos” - se também nós somos chamados a “transfigurar-nos” - , então a oração é o melhor caminho para consegui-lo. Se não é possível estar sempre no alto da montanha para orar, é possível... trazê-la para perto. Trazer uma montanha para dentro de nós não é ficção mental, pois “o Reino de Deus está dentro de nós”.

A nossa transfiguração acontece na fé. A fé é a luz que reveste de um brilho novo o rosto das coisas e da vida. Dá a tudo aquilo em que toca a divina transparência que a realidade espessa detém e oculta. Mas a fé que transfigura, rompe da nuvem de sinais e testemunhos, onde é preciso entrar de joelhos. De lá vem a voz que nos confirma e desperta para a caminhada decisiva. É preciso “escutar o Filho, o Eleito” (cf. Lc 9, 35), para conhecê-Lo cada vez mais para mais amá-Lo e mais segui-Lo.

Na medida em que contemplamos o mistério da transfiguração de Cristo, mais e mais nos tornamos semelhantes a Ele, mais conformamos a Ele nosso jeito de ser, de sentir e de amar.
Descendo da montanha da transfiguração, retomemos o caminho de cada dia; sejamos capazes de transmitir paz e serenidade aos que peregrinam rumo à Páscoa definitiva.

Jesus convida-nos a caminhar com Ele para a Páscoa. Sentimos o peso de nossos pecados, mas Ele pode vencer a dureza de nosso coração com seu olhar misericordioso. Enfim, rezemos: “Fazei-nos, Senhor, reviver a graça do Batismo que em Vós nos transfigurou. Assim, nosso coração transfigurado será agradável ao Pai e dom de amor aos irmãos e irmãs. Vossa graça renove todos os seres humanos, e todos sejam unidos à vossa oblação pascal, para alegria e glória do Pai”.

Dom Nelson Westrupp

segunda-feira, 1 de março de 2010

Quaresma, tempo de relacionamento

Pastoralmente, a quaresma tem uma linguagem própria, dentro do Ano Litúrgico. Situada no Ciclo da Páscoa, prepara os fiéis para a celebração do Tríduo Pascal - mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus. A centralidade da Ressurreição de Cristo, que se expressa na alegria do Aleluia, se prolonga durante cinquenta dias, até chegar o dia de Pentecostes.

A preparação para uma celebração importante, num período mais longo, como Advento e Quaresma, ou numa Vigília, como a de Natal e Páscoa, tem uma significação especial na Liturgia. Assim, na preparação para a Páscoa, durante quarenta dias, a quaresma toca consciências e corações, movendo as pessoas na direção de Deus, do mundo e do próximo, mediante a oração, o jejum e a esmola; “essas três práticas atingem de modo profundo os três principais relacionamentos do homem: com Deus, pela oração, com a natureza criada, pelo jejum e com o próximo, pela esmola.” Na verdade, essas práticas sempre estiveram presentes na vida religiosa do povo, porém, muitas vezes, perderam sua razão de ser, por sua formalidade e exterioridade. Em diversas passagens do Antigo Testamento, os profetas dizem que Deus abomina esse tipo de prática exterior que não exprime um relacionamento sincero com Ele. Jesus, na Nova Aliança, exalta o valor da oração, do jejum e da esmola, mas também mostra a sua nulidade, quando, ao praticá-las, as pessoas buscam a sua autoexaltação. (cf Mt 6, 1-17) A Igreja, fiel ao ensinamento de Jesus, continua ensinando o sentido da oração, do jejum e da esmola na vida dos cristãos.

Pela oração, se estabelece o relacionamento entre criador e criatura; dessa maneira, o homem, saindo de si mesmo, mantém-se em comunhão com Deus; em oração, ele se vê numa relação de maior proximidade de Deus que, não obstante a sua natureza transcendental, se deixa encontrar. (cf Is 55,6) A quaresma favorece a vivência da oração das pessoas, em momentos silenciosos do seu dia, ou quando as comunidades cristãs se reúnem, comumente, em caminhadas penitenciais, na busca da conversão, do aprofundamento espiritual e do testemunho da caridade.

O jejum não consiste apenas na redução do consumo de alimentos; as pessoas privam-se deles por uma causa maior, o Reino de Deus, “sobretudo abstendo-se do pecado.” Ao abster-se da porção habitual de alimento, ninguém compromete a saúde e exercita a pedagogia do autodomínio, de que tanto necessita, em situações concretas. A natureza também favorece o encontro com Deus quando a pessoa, “fazendo uso dos bens terrenos”, entre os quais estão os alimentos, tem a sensação de segurança e de realização. Em face do alimento, uns cometem o pecado capital da gula, quando o consomem em demasia; nessa matéria, tem maior gravidade o pecado social dos “povos da opulência”, diante dos “povos da fome”, como ensina Paulo VI, na Encíclica Populorum Progressio: “Os povos da fome dirigem-se hoje, de modo dramático, aos povos da opulência.”

A esmola aproxima as pessoas entre si. Assim escreveu São Leão Magno, Papa, no século V: “São inúmeras as obras de misericórdia, o que permite aos verdadeiros cristãos tomar parte na distribuição de esmolas, sejam eles ricos, possuidores de grandes bens, ou pobres, sem muitos recursos. Apesar de nem todos poderem ser iguais na possibilidade de dar, todos podem sê-lo na boa vontade que manifestam.” Pelo gesto da esmola, cada um está se relacionando com Deus, de quem o necessitado é imagem e semelhança.

O bom senso haverá de distinguir o assistencialismo interesseiro de um doador da ação caritativa do esmoler, a conduta clientelista do político da iniciativa solidária da comunidade, a exploração do pedinte oportunista da situação do pobre necessitado.

A quaresma adquire seu real sentido quando é bem celebrada nas comunidades, como rito, e quando as suas exigências são devidamente observadas pelos cristãos.

Dom Genival Saraiva de França